Umes luta contra reajuste da meia-passagem Estudantes prometem acionar o MPE contra o reajuste nas passagens

A União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (Umes) planeja um protesto em agosto contra o reajuste da passagem de ônibus urbano aprovado pelo Conselho Municipal de Trânsito. Também pretende acionar o Ministério Público para tentar impedir o aumento, considerado aquém das possibilidades dos trabalhadores assalariados e da qualidade do serviço prestado.
Segundo uma das coordenadoras da Umes, Juliana Borges, a entidade acionou sua assessoria jurídica para definir que tipo de ação será proposta ao MP. Ao mesmo tempo, começou a contatar com representantes de outras entidades como os sindicatos dos rodoviários e diretórios estudantis para obter o apoio.
'A gente tá pensando em mover uma ação, não sozinho. Temos o apoio do Vamos à Luta, um coletivo nacional dos estudantes que se mobiliza contra questões como o aumento de passagens', contou.
Júlia explica que o principal argumento da mobilização é o impacto do reajuste no sustento das famílias que, em sua maioria, vivem com um salário mínimo. Há também reclamação quanto à falta de melhoria no serviço prestado e até a possibilidade do aumento contribuir para o abandono escolar.
A estudante ressalta, ainda, que o reajuste tem tratamento diferenciado de outras decisões que poderiam beneficiar as pessoas de baixa renda que dependem do transporte público. Ela cita o caso da lei municipal que obriga as empresas a liberarem as catracas uma vez por mês, mas que não é cumprida. 'As leis que favorecem a população, a prefeitura não cumpre, mas quando tem que aumentar a passagem, é da noite pro dia', critica.
O advogado e ex-vereador do Zé Carlos Lima (PV) questiona a validade do Conselho Municipal de Transportes (CMT). Ele sustenta que a representação popular sempre está em desvantagem, motivo pelo qual o órgão nunca desaprova pedidos de reajustes.
Em seu blog, Zé Carlos observa que a decisão do conselho contraria o desejo da população, embora o órgão tenha sido criado para representar a sociedade. 'Por que o conselho que deveria representar a população sempre aprova aumentos de passagem contrariando o desejo do povo?', questiona.
A resposta, ele mesmo dá, ao analisar a composição do órgão. Dos 18 membros, metade representa órgãos da prefeitura, três representam setores do transporte como o dos empresários, rodoviários e taxistas, enquanto quatro representantes de entidades civis são consideradas por Zé Carlos 'cartoriais', se alinhando ao 'setor hegemônico de transporte público'.
A Secretaria de Transportes de Ananindeua informa que aguarda a planilha de tarifas para ser analisada e a partir de então tomar qualquer providência.
Fonte: Jornal Amazônia

Comentários